Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
O Menino Chinês

   Yong Ya , para além de ser pequeno em tamanho (não é que tenha alguma coisa contra os pequenos, mas...), era um grande e famoso pintor devido ao facto de se inspirar facilmente, e fazia-o do seguinte modo: olhava em frente e não fazia nada mais, nada menos que deixar que a sua imaginação voasse.

   A sua imaginação voava com o vento, para onde ela a levasse a imaginação passava-lhe informações que ele já habituado a comunicar com ela, traçava leves riscos num papel de papiro (nem são só os egípcios que o usam).

   Logo que a sua imaginação estivesse cansada de vaguear com o vento por lugares ainda para nós desconhecidos e que só eles os dois conhecem, voltava, voltava lenta e em pezinhos de lã para que ninguém desse pla sua passagem.

   Voltava, verdade é certa, mas como ia acompanhada tinha medo de voltar sozinha, então voltava com todas as cores que encontrasse pelo caminho (estando elas alegres ou tristes), e quando chegavam junto de Yong Ya, estavam cansadas, desse modo, lentamente se instalavam nas montanhas, nos rios e em todos os lugares no papiro, onde existia um esboço a preto, branco e em tons de cinzento.

   Eu neste momento estou em pleno areal junto ao mar, deixo a minha imaginação voar, é por-do-sol, ela prefere ver o por do sol do que ir para as montanhas, nevadas, com cumes brancos, as montanhas dos países nórdicos, mas, com este magnífico por-do-sol á beira-mar até eu quero ficar aqui, porque motivo iria ela querer ir para lá agora se tem muitas opirtunidades dessas enquanto estou na escola?!

   Voltando ao início, não estou a comparar-me pois sei que em tudo lhe fico atrás. 



publicado por bobone1 às 16:23
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
Anita das Compotas

   Anita era uma menina muito simpática, tinha cabelos compridos sempre presos em duas grossas tranças dos  lados.

   Anita fazia compotas de frutos e vendia nas ruas maiores e mais povoadas do bairro onde morava.

  Um dia enquanto Anita fazia as compotas em casa de uma amiga, apareceu um menino que queria comer e também brincar. Bruno começou a ajudar Anita a fazer compotas e depois iam vendê-las.

   O Bruno era um bocado traquina e esperto e sem Anita dar por isso, ele juntou vários tipos de fruta e ao enfrascar as compotas Anita reparou que a compota estava mais acastanhada que o costume.

   Bruno disse que tinha sido ele a juntar os frutos e de seguida deu-lhe um nome muito muito original A Doçura Caramelizada . A partir desse dia Bruno ficou conhecida como O Bruno da Doçura Caramelizeda que trabalha com a Anita das Compotas.

 

 



publicado por bobone1 às 15:44
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Terça-feira, 2 de Outubro de 2007
Aos Poetas

Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!

E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!

Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!

                      

                                              Miguel Torga




publicado por bobone1 às 15:10
link do post | comentar | favorito

Afonso de Albuquerque

Quando esta escrevo a Vossa Alteza
Estou com um soluço que é sinal de morte.
Morro à vista de Goa, a fortaleza
Que deixo à índia a defender-lhe a sorte.

Morro de mal com todos que servi,
Porque eu servi o rei e o povo todo.
Morro quase sem mancha, que não vi
Alma sem mancha à tona deste lodo.
De Oeste a Leste a índia fica vossa;
De Oeste a Leste o vento da traição
Sopra com força para que não possa
O rei de Portugal tê-la na mão.

                                            
Em Deus e em mim o império tem raízes
Que nem um furacão pode arrancar...
Em Deus e em mim, que temos cicatrizes
Da mesma lança que nos fez lutar.

Em mais alguém, Senhor, em mais ninguém
O meu sonho cresceu e avassalou
A semente daninha que de além
A tua mão, Senhor, lhe semeou.

Por isso a índia há de acabar em fumo
Nesses doiros paços de Lisboa;
Por isso a pátria há de perder o rumo
Das muralhas de Goa.

Por isso o Nilo há de correr no Egito
E Meca há de guardar o muçulmano
Corpo dum moiro que gerou meu grito
De cristão lusitano.

Por isso melhor é que chegue a hora
E outra vida comece neste fim...
Do que fiz não cuido agora:
A índia inteira falará por mim.

                             Miguel Torga



publicado por bobone1 às 15:06
link do post | comentar | favorito

A Terra

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao
gosto da vida!

                                 Miguel Torga



publicado por bobone1 às 14:24
link do post | comentar | favorito

A Largada

Foram então as ânsias e os pinhais
Transformados em frágeis caravelas
Que partiam guiadas por sinais
Duma agulha inquieta como elas...

Foram então abraços repetidos
À Pátria-Mãe-Viúva que ficava
Na areia fria aos gritos e aos gemidos
Pela morte dos filhos que beijava.

Foram então as velas enfunadas
Por um sopro viril de reacção
Às palavras cansadas
Que se ouviam no cais dessa ilusão.

Foram então as horas no convés
Do grande sonho que mandava ser
Cada homem tão firme nos seus pés
Que a nau tremesse sem ninguém tremer.



                    Miguel Torga


publicado por bobone1 às 11:49
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim
.Março 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. Auto da Barca do Inferno ...

. Hoje

. Leitura

. O Medo do Anjo

. Medo

. Solidão

. Rotineiro

. Poema

. Poema

. Trilogia da Erança

.arquivos

. Março 2009

. Janeiro 2009

. Outubro 2008

. Julho 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Julho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

.links
.pesquisar
 
blogs SAPO
.subscrever feeds